Shounen: Pensamento e Análise Crítica


Shounen é uma demografia japonesa que consiste em obras destinadas a um público masculino jovem (em geral, entre 12 e 18 anos).


Esse tipo de anime foi o que mais se popularizou aqui no ocidente, com a chegada de obras como Saint Seiya, Dragon Ball, Yuu Yuu Hakusho, e outras, o que foi o início da vida otaku de grande parte da comunidade aqui.


Eu mesmo comecei a assistir animes por conta de um shounen (talvez não muito conhecido entre vocês), Bakuman. E ele é também meu anime preferido até hoje, por toda a carga de mensagens e emoções que ele me passou enquanto o assistia/lia.


Mas eu gostaria de deixar mais claro para vocês como é minha relação com os shounens atualmente. O que me faz gostar deles, e o que me faz não gostar, citando alguns exemplos de obras.




SHOUNEN GENÉRICO X SHOUNEN ALTERNATIVO


O mais legal de Bakuman, é que ele é um mangá shounen sobre mangás shounen. Ele conta a história de dois garotos que tentam fazer um mangá de sucesso na Shounen Jump, uma das maiores revistas desse tipo de mangás do Japão.


E como ele tem teor bem instrutivo, aprendi grande parte do que sei sobre a indústria ros mangás e sobre o shounen, em si, por lá.


Uma das coisas que me foi ensinada, foi a divisão da maioria dos mangás entre convencional e alternativo.


Em resumo, mangás shounen convencionais são aqueles que apresentam a jornada que já nos é comumente conhecida, de um herói que em busca de evolução ou até certo ponto evoluído, cresce como personagem durante a obra.


Em geral, os shounens de luta (battle shounen), e shounens de esporte seguem esse lado da divisão. E podem aproveitar o estilo muito bem. Exemplos são Naruto, Dragon Ball, One Piece, Hunter x Hunter.


Enquanto isso, os shounens alternativos são aqueles que buscam negar a estrutura comum da maioria dos shounens.


Exemplos são mangás como Death Note, Yakusoku no Neverland, e mangás de comédia como Gintama, que ou tem um objetivo em específico com foco diferente (mistério, drama), ou simplesmente não tem objetivo (comédias em geral).











Bakuman (2008)







ESTRUTURAÇÃO DE UM ANIME SHOUNEN


Bom, ambos os estilos de obra podem me agradar, dependendo do caso. Mas então o que decide se eu gosto de uma obra ou não? A sua estruturação.


Uma característica dos shounens, seja por conta da forma de publicação ou pelo senso do autor, é a falta de um aprofundamento maior da história.


Claro que sempre existem exceções, com obras bem mais densas em determinados pontos (como Death Note, ou o próprio Bakuman), mas em geral, não é algo que costuma-se esperar da obra, e por isso, não se pode julgá-la por isso.


Mas quando eu digo estruturação, me refiro ao quanto a história apresenta os seus elementos e sua relação com o que propõe.


Pode-se parecer que sou muito chato ou técnico, mas no fim é isso que baseia a análise de qualquer pessoa sobre uma obra, mesmo que inconscientemente. Eu apenas refleti um pouco sobre isso.




A IMPORTÂNCIA DOS PERSONAGENS PARA UM SHOUNEN


No caso dos shounens, personagens são um de seus elementos mais importantes, pois eles carregam um significado muito forte do que a história tem a oferecer. Por exemplo, um que costumo citar, os personagens de Fairy Tail aliviam e muito o enredo mais convencional de parte da obra, por terem sido bem criados e aprofundados. E isso não significa que o personagem não pode seguir um estereótipo.


Na realidade, em grande parte dos casos, um personagem mais estereotipado é muito mais fácil de manusear e aprofundar do que outros, pois ele apresenta uma árvore de opções de desenvolvimento mais delimitada o que torna-o mais verossímil. Bom, nunca é fácil cuidar de uma obra com muitos personagens, mas quando o autor sabe fazer isso com um mínimo de cuidado, é sempre de importância significativa.


Enfim, personagens são importantíssimos para gostar de uma obra, então simpatizar com eles é um forte ganho. São tantos exemplos de obras em que isso acontece, que não consigo nem citar.




PROTAGONISMO E CONVENIÊNCIA


Uma coisa que irrita bastante, mas é bem comum em grande parte dos shounens, é as conveniências de parte da história para se chegar a um desenvolvimento esperado. Isso é algo comum justamente pelo fato de o autor, ou o roteirista, estruturarem a história aos poucos, e por isso, ao chegarem em alguma ideia ou resolução, buscarem encaixar os outros elementos para chegar a isso. Independente disso, é sim um problema de mal planejamento, e por isso está sujeito às críticas e ao meu desagrado.


Em exemplo de anime em que percebi poucos casos disso, foi World Trigger. Que não é muito famoso pois não ganhou o gosto do público quanto à história e os personagens. Mas ele com certeza pode se gabar quanto à ausência de conveniências.


Como compensação para isso, é interessante que o autor planeje sua história com antecedência, e reveja os pontos para minimizar as inconsistências.











World Trigger (2013)







SHOUNEN JUMP E SEUS PILARES


Para finalizar esse post explicativo, vou citar aqui algo que li em algum canto nos últimos dias, e pode ajudar a exemplificar o meu gosto por animes do tipo. Ele citou os 3 mangás mais importantes da Shounen Jump, a talvez revista de shounen mais relevante da atualidade. São eles One Piece, Boku no Hero Academia, e Haikyuu.


Para mim, esses animes representam 3 diferentes espécies dos shounens: Os shounens da última geração (representados por One Piece), que são poucos remanescentes, mas ainda servem como fonte de segurança da revista; os shounens da nova geração (representados por Boku no Hero), que estão firmando sua base de segurança para o contínuo da revista; e os shounens de esporte (Haikyuu) que sempre foram comuns, mas se tornam bastante relevantes com seu atual representante.


Desses, meu preferido é One Piece, por sua estrutura praticamente impecável, mesmo nos últimos 20 anos de publicação, se tornando assim justamente o mangá mais lucrativo da Shounen Jump.


Não sou muito fã de Boku no Hero Academia, que não nego, sabe manter uma estrutura aceitável como shounen em ascensão, mas não me agrada na criação do universo ou personagens. Mas outros representantes da nova geração tais como Black Clover possuem meu respeito.


Haikyuu, assim como outros animes de esporte atuais da revista, nunca cheguei a ter meu contato ainda, mas tenho minhas garantias por seu sucesso absurdo como anime de esporte (superando muitos de seus antecessores).




SHOUNEN IDEAL


E assim chegamos à minha opinião final sobre a demografia. Ela apresenta uma estrutura bem comum entre seus representantes, e possui casos e mais casos em que me agradam, e em que não me agradam.


Creio que o principal ponto de análise de uma obra do tipo, seja o universo apresentado, e o seu objetivo. Quando este é exposto claramente, sabe-se bem o que esperar, e os outros elementos ajudam a complementar isso. Caso contrário, é necessário um convencimento ainda maior dos outros elementos, para que o seu saldo ao final seja positivo.


No caso de Bakuman, o universo foi apresentado com perfeição, e os outros elementos conduzem com harmonia o desenvolvimento final. Ele tem alguns problemas, claro, no decorrer, mas ao final, os pontos se completam, e ele mostra sua verdadeira mensagem, e por isso fica com um saldo extremamente positivo. Outros casos de obras quase perfeitas são Death Note, dos mesmos autores, Shigatsu wa Kimi no Uso, Fullmetal Alchemist etc.











Death Note (2003)


Existem casos e mais casos nos quais eu não me agradei com o objetivo inicial, mas fui convencido pelos outros, tais como pequenas adaptações como Sousei no Onmyouji e World Trigger. Já outros, me agradaram logo na primeira página, ao apresentar o sentido da história: Shingeki no Kyojin, Shokugeki no Souma.


Enfim, é um universo extremamente vasto, por se tratar de uma demografia bem lucrativa e popular no Japão e no mundo, e aqui podemos encontrar todo caso de obras.


E você, qual seu shounen preferido, e por quê? Deixe aí nos comentários, e vamos ter uma boa discussão.

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