
Evangelion é um anime que muita gente gosta, porém poucos
conseguem absorver o real sentido do anime, por ser um anime complexo. Pensamos
que Evangelion é um anime de robôs gigantes, porém ele transmite uma mensagem
bem mais profunda por trás dessas lutas. Nos primeiros episódios acompanhamos
um belo drama referente a todos personagens do anime, principalmente o
principal chamado Shinji Ikari, um adolescente que foi chamado pelo pai para
pilotar um robô gigante. O Shinji não foi muito recebido pelo púbico, por ser instável,
medroso e não se impor quando é preciso, hesita bastante quando precisa fazer
algo, muita das vezes ele não sabe como agir nas situações e isso acaba
causando uma apatia dos fãs perante a este personagem, porém ele não deixa de
ser um personagem muito bem construído, já que ele retrata sentimentos
profundos e negativos que todos nós temos que lidar e que nem todas as vezes
conseguimos resolver, porém no caso do Shinji tem uma explicação, ele foi
rejeitado pelo pai, e sua mãe é morta, a falta de afeto e atenção o fez ser um
ser humano angustiado e sem preparo par a vida. Esses problemas psicológicos
que o personagem sofre o faz incapaz de se relacionar com os outros. O anime
chega ate a falar sobre o dilema do porco espinho, o dilema é mesmo que um porco
espinho queira se aproximar do outro eles acabam se espetando, quanto mais se
aproximam mais eles se machucam. Levando para a vida real significa que o
personagem não se cria vínculos com medo de se ferir, esse dilema acaba se
relacionamento com outro elemento o A.T Field.

Em Evangelion o mundo é atacado por monstros, monstros esses
que são protegidos por um campo de força chamado A.T Field, porém esse campo de
proteção tem um significado bem maior do que apenas proteger os monstros no
anime, (esses monstros são chamados de anjos)
É a partir dai que chegamos a um ponto maior do anime,
algumas explicações ficam claras, como o plano de fundir a humanidade em um
único ser, fazer com que todos sejam uma unidade. Quem elabora essa ideia é o
pai de Shinji junto com os membros de sua corporação.
Para fundir todos em apenas um ser é necessário acabar com
todos os campos AT, que é o que separa um ser de outro, no caso a sua
individualidade. O significado de AT FIELD é campo de terror absoluto, por ai
já podemos perceber que não se tem uma boa ideia sobre esse campo.

No fim da história o Shinji tem que fazer uma escolha
difícil, viver dentro de uma divindade que é a soma de uma estrutura coletiva,
ou então se separar e viver de forma individual. É uma escolha complicada que
ele tem que fazer. Esse projeto é elaborado pelos militares e o governo, que se
juntam para fazer esse (aperfeiçoamento da humanidade) um nome bonito que eles
dão para fundir toda a humanidade e tornar um ser apenas.
Pode parecer estranho, mas perder a própria individualidade
não é possível somente na ficção cientifica, isso também é possível no mundo
real, é um processo que se chama de despersonalização, aonde o individuo sente
cada parte do seu corpo agir de forma individual e como se ele não conseguisse
sentir mais nada, tal situação é levada mais funda como se a pessoa não
conseguisse se comunicar com o mundo externo, apenas ouve e sente os objetos
mas não os alcança.
Evangelion relata a despersonalização nos episódios 19 e 20
aonde o inimigo de Shinji é devorado numa cena estranha, sendo que o piloto do
robor não estava mais tendo controle sobre o mesmo, logo em seguida, incapaz de
lidar com medo, sentimentos negativos, conflitos e a experiencia o corpo de
Shinji se desfaz dentro da roupa, e fica apenas uma cena de um uniforme todo
torto e sem vida, isso se trata de uma metáfora sobre a despersonalização, um
fenômeno que está associado ao trauma e a depressão.

O autor de Evangelion sofreu depressão e consegue retratar
isso de maneira clara no anime, aonde vários personagens tem problemas com seus
pais, de maneira mal resolvida e isso reflete diretamente em seus
comportamentos e suas relações socais. Podemos dizer que a matéria prima de
Evangelion se trata do sofrimento do autor, uma extensão de suas dores que se
tornou essa obra maravilhosa que contemplamos.

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