Griffith: Herói ou Monstro? O Personagem Mais Controverso de Berserk

 



Poucos personagens na história dos mangás conseguem dividir opiniões como Griffith. Em Berserk, ele não é apenas um líder carismático ou um simples vilão. Ele é a representação de uma pergunta que incomoda leitores há décadas: até onde alguém pode ir para realizar um sonho?


Quando somos apresentados a Griffith, vemos um jovem extremamente inteligente, determinado e capaz de inspirar qualquer pessoa ao seu redor. Como líder do Bando do Falcão, ele transformou um grupo de mercenários em uma força militar respeitada por todo o reino. Seu carisma era tão poderoso que homens e mulheres estavam dispostos a arriscar a própria vida apenas para segui-lo.


Nesse ponto da história, muitos leitores enxergam Griffith como um verdadeiro herói. Afinal, ele tirou pessoas da miséria, ofereceu propósito aos seus companheiros e parecia destinado a mudar o mundo. Sua ambição era gigantesca: conquistar o próprio reino e construir um império onde pudesse finalmente sentar-se em seu tão sonhado trono.


Mas é justamente essa ambição que começa a revelar sua verdadeira natureza.


Ao longo da obra, percebemos que Griffith vê as pessoas de uma maneira diferente. Embora demonstre carinho por seus companheiros, ele frequentemente os enxerga como peças necessárias para alcançar seus objetivos. Para ele, o sonho sempre esteve acima de tudo.


A situação chega ao limite quando sua vida desmorona após a partida de Guts. Pela primeira vez, Griffith perde o controle dos acontecimentos. Sua prisão, tortura e queda psicológica transformam completamente sua visão do mundo. O homem que parecia destinado à glória se vê sem forças, sem exército e sem futuro.


É então que ocorre um dos momentos mais chocantes da história dos mangás: o Eclipse.


Diante da oportunidade de recuperar seu sonho, Griffith toma uma decisão que mudaria para sempre o rumo de Berserk. Em troca de um poder inimaginável, ele sacrifica aqueles que mais acreditavam nele. Homens que lutaram ao seu lado durante anos, que derramaram sangue por sua causa e que o consideravam um amigo são entregues a um destino terrível.


A partir desse momento, muitos leitores deixam de enxergá-lo como um herói e passam a considerá-lo um monstro.


No entanto, a discussão continua porque Griffith não age por simples maldade. Diferente de muitos vilões, ele não busca destruir o mundo por prazer. Seu objetivo permanece o mesmo desde o início da história: conquistar seu sonho. A questão é que ele está disposto a pagar qualquer preço por isso, mesmo que o custo seja a vida de seus próprios companheiros.


Essa é justamente a genialidade de Berserk.


O mangá nos obriga a refletir sobre a linha que separa a ambição da obsessão. Griffith é um exemplo extremo de alguém que permitiu que seu sonho se tornasse mais importante do que sua humanidade. Ele nos mostra como uma pessoa admirável pode se transformar em algo aterrorizante quando passa a acreditar que os fins justificam os meios.


Então, Griffith é herói ou monstro?


Talvez a resposta seja que ele começou como um herói aos olhos de muitos, mas escolheu se tornar um monstro para alcançar aquilo que desejava. Sua história é uma das maiores tragédias já escritas nos mangás, e é justamente essa complexidade que faz dele um personagem tão fascinante.


Mesmo décadas após sua criação, Griffith continua sendo um dos personagens mais debatidos da cultura pop. E talvez esse seja o maior mérito de Berserk: mostrar que os monstros mais assustadores nem sempre nascem monstros. Às vezes, eles começam como heróis.


Autor: Diogo Badaró, editor e amante da cultura Geek, apreciador de uma boa musica, series e animes.


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